Tridente em riste e chinelo irrequieto, com FUROR o DIABO saltitava em torno dos ciclistas

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VC tem medo do DIABO??? ELES NÂO!!!

Podem nem sequer distinguir os favoritos, mas aqueles populares aguardam horas pela passagem dos modernos deuses do asfalto, pelos Sérgios Paulinhos de todas as etapas, pelos novos atletas  daquela epopeia que Roland Barthes incluiu nas suas ‘Mitologias’

Tridente em riste e chinelo irrequieto, um divertido diabo saltitava em torno dos ciclistas. La Grande Boucle, como os iniciados chamam à maior prova velocipédica do planeta, enche, desde 1903, os passeios das cidades francesas, esgota com horas de antecedência as bermas das melhores estradas montanhosas, concentra nas curvas mais apertadas multidões de curiosos.

Aquele epopeia dos tempos modernos, como Roland Barthes definiu a Volta à França em bicicleta no seu famosos livro Mitologias, interrompe o quotidiano a banhistas e a barqueiros, junta excêntricos e exibicionistas, mostra um tipo embrulhado na bandeira do país do ciclista que apoia e outro que se disfarçou de mulher a passar a ferro em plena rua, um clown com trajo às bolinhas que parece ter saído de um desenho animado ou um fu-nâmbulo que equilibra a bicla no topo de um candeeiro público.

Naquele caleidoscópio de paisagens do hexágono francês (com mais uns pedaços de países vizinhos), a adesão nacional ao Tour de France quase permitia fazer o recenseamento da população. Pouco importa se as suspeitas de doping estão a matar a credibilidade do ciclismo, pois nunca faltam frisos de mirones que aplaudem os Sérgios Paulinhos que passam isolados – mesmos sem identificarem quem são estes descendentes do pioneiro vencedor Maurice Garin.

A maioria nunca viu correr campeões clássicos como o gourmet francês Jacques Anquetil (e o seu rival e “eterno segundo” Raymond Poulidor) ou o canibal belga Eddy Merckx, alguns nem sequer o espanhol Miguel Induráin – e quanto aos antiquíssimos italiano Fausto Coppi (o “Campioníssimo”) e francês Louison Bobet (o “Padeiro de Saint-Méen”)…

Os espectadores incentivam os músculos que rolam, trepam, aceleram, mas mal devem saber distinguir o luxemburguês Andy Schleck, o espanhol Alberto Contador, o americano Lance Armstrong. E raros percebem como é que, por exemplo, o australiano Mark Renshaw, que se tornou conhecido por dar umas cabeçadas a um adversário enquanto pedalava, lança para o sprint o britânico Cavendish – como outros, em tempos já idos, fizeram a Mario Cipiollini, a Erik Zabel, a Robbie McEwen. E, quando as etapas especiais de montanha chegarem, quem saberá apostar em Martínez, Broeck, Lloyd, Cunego, Szmyd, Garate, Moreno ou Rodríguez como o sucessor dos quase lendários trepadores Virenque, Bahamontes (“a águia de Toledo), Van Impe?

Se os favoritos são pouco conhecidos, que se dirá então dos dorsais do fundo da classificação, nomes e números que, de vez em quando, se escapam ao pelotão? E, no entanto, a multidão percebe que aquele é um esforço só ao alcance dos heróis do asfalto (este ano, também dos paralelos) e do pedal.

Para a maioria dos que escolhem pontos privilegiados para ver aquela serpente de bicicletas a ziguezaguear, o nome de Sérgio Paulinho só seria lido no final daquela etapa de transição nos temidos Alpes, uns 179 quilómetros a ligar Chambery (a cidade de Xavier de Maistre, o autor de Viagem ao Redor do Meu Quarto, citado por Almeida Garrett logo a abrir Viagens na Minha Terra) a Gap (terra montanhosa de romanos e templários, cujo povo foi elogiado por Napoleão antes da sua derrota final em Waterloo).

No feriado gaulês da Tomada da Bastilha, o triunfo foi para o “Babuíno” – como lhe chamam os colegas, aproveitando o remoque inventado por Levi Leipheimer, o actual candidato da RadioShack ao pódio, ao ver sempre a rir-se como um macaquinho o medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas.

Também conhecido por “Duracell”, Sérgio nasceu em Oeiras em 1980, o ano em que Zoetemelk interrompeu a sequência de vitórias no Tour de Bernard Hinault – e um ano após a mais mítica das vitórias francesas de Joaquim Agostinho, que trepou sozinho até Alpe d’Huez, a estância de esqui situada a 1850 metros e que se atinge após 21 curvas sempre a subir.

E o diabo, para os ciclistas, o que será? Os Alpes? Uma queda? Os vampiros do controlo antidoping? O carro-vassoura? Nunca será…. É aquele demo apalhaçado!!!

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